
Há cinco dias específicos na semana que todos nós fazemos quase sempre as mesmas coisas, com o mesmo ritmo e às mesmas horas. É um “Always Running” que já nos habituamos a fazer, e como nele estamos “embrulhados” nem vemos a figura engraçada que é andar a correr todos os dias, ao mesmo ritmo, rumo às mesmas coisas.
Passo a explicar. O despertador toca e temos duas hipóteses – ou saltamos da cama e começamos a correria mais cedo, ou ficamos escassos minutos no “bem bom” e atrasamo-nos, e então corremos a todo o vapor para agarrar o tempo perdido e aí o stress começa.
Depois, torna-se engraçado ver, todos os dias, o mesmo percurso - Casa de Banho/Duche/Quarto/Veste/Cozinha/Pequeno-almoço/Quarto/Cozinha/Casa de Banho/Dentes/Sai de Casa/Volta a entrar em Casa/ Garagem/Carro/Trânsito e mais Trânsito e mais “resmas” de Trânsito/Colégio e Filhos (para quem os tem)/Trânsito e mais Trânsito/estacionamento com ou sem trânsito/trabalho/elevador ou escadas com ou sem trânsito.
Depois deste percurso, e de já termos um terço do cansaço psicológico sobre nós, prepara-se um dia de trabalho, sempre intenso. No emprego, o “Always Running” é mais ou menos assim: e-mails/telefonemas/e-mails/reuniões internas/telefonenas/e-mails/reuniões internas e externas/almoço/e-mails/telefonemas/crises e mais crises/reuniões internas e externas/pausa para café/e-mails/telefonemas/crises de última hora/happy hour... quando há/fechar tudo e sair.
Quando já nos sentimos prontos para ir para a cama, eis que temos mais um longo percurso a fazer até casa, com trânsito e mais trânsito, passagem pelo hipermercado, ida ao ginásio ou passagem pelo colégio para recolher as crianças ou pela casa dos pais para dizer - “ainda pertenço a esta família apesar da minha ausência!”.
Certo é que quando entramos em casa e fechamos a porta, cessa um dia, mais um. Mas as escassas horas que nos separam do dia seguinte não nos permitem apaziguar a intensidade do “Always Running” do dia seguinte. Depois só nos resta por pensar no tão desejado FDS que não é fim-de-semana, mas sim fim-do-stress. Aleluia!!!
Mas a parte mais engraçada deste “Always Running” é quando vemos os anos passarem e contabilizarmos as horas em que na nossa vida corremos e corremos e continuamos a correr, sem de nada querer saber senão correr. Porque a vida é assim, leva-nos a correr a viver em stress. Portanto, que tal pararmos de correr e começarmos a fazer tudo sim e muito bem feitinho na mesma intensidade, nas mesmas capacidades, com o mesmo brio profissional, mas sem desgastes e sem correrias. A idade não perdoa, é um facto. Pensem nisso!